ComportaUtopia
"É nossa missão criar um ecossistema exemplar onde a economia e a ecologia se unem de forma a preservar o território e a população"
Carta do presidente

Portugal urbanizou-se extensa e rapidamente desde o pós-guerra.

A expansão das cidades litorais acelerou com especial vigor a partir da década de 1960, e entre as décadas de 1970 e 1990 foi várias vezes recordista mundial na velocidade de construção: poucos países o ultrapassaram em número de edifícios novos completados por ano por habitante.

Somente em 2007 a voragem construtiva se extinguiu. Entretanto, o contexto deste processo foi muito adverso à qualidade do desenho urbano: além de entre 1969 e 2014 as leis de ordenamento do território serem absolutamente favoráveis à especulação fundiária, no mesmo período houve uma grande escassez de mão-de-obra qualificada em matérias de arquitectura, engenharia e paisagismo.

Os resultados ainda marcam o território em inúmeros trechos: desordem urbanística, traçado disfuncional e inestético de muitos edifícios e aglomerados populacionais, danos à biodiversidade e à paisagem rústica em largos panoramas.

Perante o cenário que nos deixou este Passado recente, o projecto Comporta Utopia representa uma oportunidade para mudar de rumo e criar uma nova forma de ordenar os usos do solo e de desenhar a ocupação humana.

Porventura pela primeira vez desde há décadas surge no nosso país um projecto a grande escala com o objectivo de reduzir os índices de construção, ao invés de os aumentar; de instalar edifícios e campos agrícolas para cuidar no longo prazo, em alternativa a abrir loteamentos para especular no curto prazo; de criar espaço público de alta qualidade aberto a todos, em lugar de erigir condomínios fechados de luxo inacessível; de criar emprego digno e permanente, e não ancilar e precário; e de reforçar a paisagem autóctone em vez de importar modelos paisagísticos de outros climas e regiões biogeográficas.

Apoio o projecto Comporta Utopia por ser a melhor alternativa ao dispor dos portugueses para salvaguardar o interesse público, tanto em termos ambientais como económicos. Possa este projecto triunfar e inaugurar com o seu exemplo um novo ciclo no ordenamento do território português.

 

 

 

Presidente da Direção

Pedro Bingre do Amaral