ComportaUtopia
"É nossa missão criar um ecossistema exemplar onde a economia e a ecologia se unem de forma a preservar o território e a população"
Louis-Albert de Broglie

Louis-Albert de Broglie é um cidadão francês com residência em Portugal, lidera o grupo empresarial Deyrolle e é um ecologista ativo na cena internacional com diversas iniciativas pela defesa do ambiente, da biodiversidade e do equilíbrio natural em ecossistemas especiais.

Louis Albert Broglie

 

Com um pensamento ecológico estruturado no tríptico Natureza-Arte-Educação, Louis-Albert de Broglie (LAB) tem afirmado que se deve preservar os ecossistemas e cultivar a biodiversidade (Natureza), devolver a identidade aos territórios (Arte) e usar a inovação para criar territórios autónomos e resilientes que ponham a economia ao serviço do Homem e não o seu contrário (Educação).

De Broglie é o mentor do Conservatoire national de la Tomate (Conservatório Nacional do Tomate), o visionário por detrás do projeto Fermes d’Avenir (Quintas do Futuro) e o responsável pelo ressurgimento e modernização da lendária e prestigiada instituição parisiense dedicada às ciências naturais, à arte e ao ensino, a Deyrolle.

Neste momento, o mais importante e urgente projeto de LAB é a aquisição da Herdade da Comporta, para aí desenvolver um projeto que evite a transformação do território numa cidade turística sem qualidade e sem futuro, desenvolvendo uma alternativa de criação de valor com apenas 16% da ocupação prevista.

Os planos de Louis-Albert para a Comporta passam por preservar os equilíbrios biológicos que dão ao ecossistema o seu carácter singular, desenvolvendo atividades agrícolas e turísticas em cooperação de interesses, visando criar emprego para a população local e transformar o território num laboratório de referência mundial em produção ecológica, preservação da biodiversidade e elevação da cultura.

 

Da banca para a missão ecológica

Louis Albert de Broglie

Louis-Albert é filho do duque Jean de Broglie, deputado e ministro de De Gaulle, e desenvolveu a sua carreira na banca de investimentos durante quase uma década, tendo vivido na Índia, França e América Latina. Em 1992, aos 29 anos, LAB decidiu dar um novo rumo à sua vida e comprou La Bourdaisière, um castelo no Vale do Loire, que transformou num hotel e num laboratório e lugar de experimentação hortícola.

Por sua iniciativa e persistência instalou na propriedade do Loire uma plantação com mais de 700 variedades de tomates, com vista a assegurar a preservação das espécies e demonstrar os malefícios do cultivo industrial, com destruição do solo, poluição do ar e da água.

Na sequência desta bem sucedida experiência de conhecimento e experimentação agrícola, o projeto de LAB foi, em 1996, reconhecido em França como o primeiro Conservatório Nacional do Tomate, uma distinção oficial da associação Conservatoire des Collections Végétales Spécialisées .

Também no seu parque de La Bourdaisière, LAB criou um jardim com mais de 300 espécies de dálias e um pomar com cerca de 80 tipos de árvores de fruto, ações que se enquadram num programa de vida orientado por causas e projetos consistentes em prol de um modo de vida mais natural, consciente e sustentável.

 

Renascimento da prestigiada Deyrolle

O entusiasmo com o pensamento e a ação ecológica e a sua capacidade para transformar ideias em atividades criadoras de valor na área agrícola granjearam-lhe a reputação de “Príncipe Jardineiro”, uma designação que LAB transformou na valiosa marca “Le Prince Jardinier”, comercializando coleções de ferramentas, móveis de jardim e roupas desenhadas e criadas a partir de fibras naturais. A colecção “Mobilier Mémoire” embeleza locais icónicos de Paris como Palais Royal, Jardins du Luxembourg e Jardin des Tuileries.

Em 2001, LAB comprou a bicentenária e quase falida Deyrolle (1831), a mais antiga instituição científica francesa. Imprimiu-lhe uma renovada missão pedagógica com a Deyrolle pour l’avenir (Deyrolle para o Futuro), uma entidade que perpetua a vocação de editora da Deyrolle, e tornou-a parceira da UNESCO e da COP21 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015, onde foram adotadas metas para a redução do efeito de estufa).

Mais tarde, LAB criou o maior e mais importante movimento de micro-agricultura, em França – “Fermes D’Avenir” – que defende o desenvolvimento de sistemas de cultivo com produção de alimentos de qualidade com base na observação de ecossistemas naturais e locais. A produção sob rótulo biológico, cortando com o uso de produtos químicos fitossanitários, a regeneração  de ecossistemas e da biodiversidade e a criação de soluções com baixa produção de carbono e consumo de água são os eixos desta ideologia agrícola.

Globalizando as suas ideias, Louis-Albert de Broglie assinou um acordo com a província chinesa de Sichuan para criar a Terra Panda,  um parque cultural, ecológico e turístico, adjacente ao Parque dos Pandas, em Chengdu, onde será posto em prática o tríptico defendido pela Deyrolle (Natureza-Arte-Educação) de forma a sensibilizar o público para a fragilidade da natureza e para a necessidade imperativa de preservar a biodiversidade.

Determinado a realizar em Portugal o seu lema – “Le discours sans l’action, c’est du vent” (Maximilien de Robespierre), em português, “O discurso sem acção é vento” – Louis-Albert de Broglie viu nos problemas jurídicos e empresariais da Comporta uma ameaça real ao ecossistema da região e aos modos de vida das populações e decidiu avançar com propostas de compra da Herdade da Comporta com vista a desenvolver um projeto eco sustentável, com aplicação regional, mas com repercussão e replicação à escala global.

Louis-Albert é morador na Comporta há vários anos e tem vindo, de forma consistente, a plantar ideias e a multiplicar iniciativas em defesa de pequenos produtores, da agricultura local e sustentável e de uma alimentação de qualidade. E afirma que é possível o desenvolvimento económico da região da Comporta sem sacrificar o território, o ecossistema e o futuro das pessoas aos abutres da especulação imobiliária e aos operadores internacionais do turismo de massas sem qualidade nem sustentabilidade.