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"É nossa missão criar um ecossistema exemplar onde a economia e a ecologia se unem de forma a preservar o território e a população"
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Aristocrata francês lança movimento cívico

Louis-Albert de Broglie está na origem da nova associação para garantir que na Comporta não vão ser destruídos os valores ambientais, e que envolveu uma petição ao Presidente da República

Texto de Conceição Antunes

Foi constituída esta quinta-feira a associação Comporta.Utopia – Associação para a Sustentabilidade da Comporta, que se propõe ter um papel ativo no processo de venda e do desenvolvimento que vier a ser feito na Herdade da Comporta, para garantir que serão respeitados os valores ecológicos “no interesse nacional e de longo prazo para o território”. Esta associação também já criou uma petição pública com este objetivo, que já foi enviada ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A associação civil foi mobilizada por Louis-Albert de Broglie, o aristocrata francês que apresentou uma das três propostas para a compra da Comporta antes de o processo ter sido adiado pela Gesfimo. A sua proposta prevê o desenvolvimento de apenas 16% dos 650.000 metros quadrados de construção aprovados na Comporta, atendendo à “fragilidade dos eco-sistemas do território”, e a criação de oito centros de qualificação para dinamizar a economia local, dedicados à agricultura biológica, incubação de startups, reciclagem, arte, escolas ou conferências.

É esta visão de Louis-Albert de Broglie para a Comporta que a associação quer ver assegurada no terreno, independentemente da decisão que vier a ser tomada em termos de venda. Fazer pressão para garantir que o projeto vencedor na Comporta respeita os objetivos de baixa densidade de construção, a par da criação de economia e emprego para a população, é o principal objetivo, também complementado com a petição pública agora enviada a Marcelo Rebelo de Sousa.

“A venda da Comporta não é um assunto só dos investidores, mas de todos os portugueses”

Assumindo-se como um ‘stakeholder’ relevante na operação de venda da Comporta, a associação Comporta.Utopia quer estar presente em todas as fases do processo, e divulgar informações regulares sobre todas as diligências que vierem a ser feitas, para manter o público informado.

A associação é presidida pelo professor universitário Pedro Bingre do Amaral, e está aberta a todos os interessados em ver na Comporta “um projeto que respeita a singularidade e o valor da região”. O site da associação vai estar ‘online’ a partir de sexta-feira, 31 de agosto.

“Apoio este projeto porque tem características muito saudáveis e inovadoras, é um exemplo muito forte de qualidade urbanística e que envolve uma mudança de paradigma notável em Portugal”, considera Pedro Bingre do Amaral, professor do Instituto Politécnjico de Coimbra e que preside a associação Comporta.Utopia. “É o primeiro projeto desta envergadura de que tenho conhecimento em Portugal desde o pós-guerra – e com esta visão de longo prazo, querendo reduzir os índices de construção em vez de aumentá-los e sem envolver construção densa à beira-mar”.

A associação que passa a presidir tem a missão de “levar à discussão pública um projeto em que a sociedade civil tem de participar, e de ser informada de forma rigorosa sobre o que está a acontecer”, sustenta o professor universitário, frisando que a venda da Comporta “não é um assunto só dos investidores mas de todos os portugueses, um projeto com esta dimensão não se pode resumir a balancetes contabilísticos ou um tema de assembleia de credores”. Pedro Bingre do Amaral garante acreditar na visão de Louis-Albert de Broglie “que tem um currículo de décadas e com provas dadas no sentido de marcar uma mudança de paradigma saudável num projeto desta envergadura em Portugal”.

Recorde-se que a venda da Comporta tem sido atribulada, e a 27 de julho, a data que estava estipulada para se decidir quem era o comprador, a Gesfimo adiou o processo dando aos concorrentes um novo prazo para entrega de propostas até 20 de setembro, e impondo-lhes que renunciassem ao direito de contestar qualquer decisão.

Além de Louis-Albert de Broglie, que concorre com a Global Asset Capital (GAC) e o grupo Bonmont, também estão nesta corrida o consórcios dos empresários britânicos Mark Holyoake e Anton Bilton com a portuguesa Portugália, além da parceria entre Paula Amorim e o milionário francês Claude Berda.

“É um erro a Comporta ir na direção contrária ao que deve ser hoje o desenvolvimento sustentável, em benefício das pessoas e do território”, defendeu Louis-Albert de Broglie ao Expresso em julho, quando o processo de venda estava ao rubro (acabando por ser suspenso), frisando que estava pronto a bater-se para não ver “a Comporta destruída”.

Artigo publicado no Expresso no dia 30 de agosto de 2018