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Conservatoire National de la Tomate

No castelo em Montlouis-sur-Loire, no centro de França, Louis-Albert de Broglie (LAB) decidiu montar, em 1992, uma plantação que hoje conta com mais de 700 variedades de tomates, de diferentes cores (verdes, brancos e roxos) e com nomes exóticos (“Dad’s Sunset”, “Green Sausage”, “Mark Twain” ou “Portuguesa”)

 

Ao lançar-se na plantação, há 25 anos, LAB descobriu, através de um catálogo científico, que existem 10 mil variedades de tomate e surpreendeu-se por nem mesmo produtores, que atuam no ramo há várias gerações, estarem a par das variedades antigas, caídas no esquecimento. “As pessoas conhecem um fruto vermelho, redondo, com cada vez menos qualidades gustativas devido aos métodos industriais do cultivo”, observa LAB.

Conservatório Nacional do TomateO atual consumo, em grandes superfícies, encarregou-se de apenas providenciar uma escolha limitada de produtos já que factores como o visual, o tamanho e o tempo de conservação passaram a ser privilegiados por razões comerciais, uniformizando os produtos. Louis-Albert reuniu sementes em viagens pelo mundo fora e junto de associações francesas especializadas, como a Kokopelli, e pôs mãos à terra.

Em 1996, a plantação foi certificada como Conservatório Nacional do Tomate pelo Conservatório de Coleções Vegetais Especializadas, de França, na altura contava apenas com 300 variedades do fruto.

Esta coleção única no mundo foi assim criada com o propósito científico de promover a diversidade vegetal. “É preciso preservar a biodiversidade para compreendê-la e, sobretudo, para poder transmitir esse património”, defende LAB, eplicando também o propósito educativo do projecto. Mas também para chamar a atenção da necessidade de se criar um novo modelo de produção alimentar “economicamente viável, ecologicamente correcto e saudável”.

Um modelo que se distancia dos malefícios causados pela produção industrial: destruição do solo, poluição do ar e da água e doenças causadas por pesticidas e outros produtos químicos.

“Nós somos o que comemos”, defende Louis-Albert.